Nascido em São Paulo no ano de 1964, filho de uma família de metalúrgicos. Formado em jornalismo, em 1986, e mestre em Comunicação Social, em 2009, pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) Roberto Araújo hoje é professor de jornalismo, publicidade e propaganda e rádio e TV na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) desde 2004 e dono de sua própria assessoria.
Sempre comunicativo e atencioso, o também gestor dos Trabalhos de Conclusão de Curso de jornalismo atende aos chamados de alunos e ex-alunos dentro ou fora do horário de trabalho. Nem que seja um oi, ele sempre está presente, mas horário de aula é “sagrado” e todos respeitam.
Nem sempre foi assim. Com incentivo do pai, ele foi aprendiz de ferramenteiro na Volkswagen do Brasil até os 18 anos. Mesmo tendo feito o curso de ferramenteiro no SENAI “forçado” pelos pais, ele teve 96% de aproveitamento dos três anos e foi o melhor aluno de 130 da classe. O bom desempenho na área técnica poderia levá-lo para a engenharia, como queriam seus pais. Mas ele preferiu a comunicação, mais especificamente o jornalismo.
Ele não gostava do que fazia, e diz que se tivesse continuado seria por pressão, mas já tinha uma resposta para o velho clichê. Queria ser jornalista. “Sempre trabalhei dando o melhor de mim para ser bom em tudo que faço”, confirma Roberto.
Em 80 o carro mais vendido do mundo estava com as vendas em alta. O fusca conquistou o título com 21 milhões de unidades comercializadas. Na década o setor automotivo foi bastante marcado pelos lançamentos das primeiras versões do Gol, Voyage, Parati, Saveiro, Santana, entre outros que já receberam outras “caras” menos quadradas com o passar do tempo.
O ex-aprendiz de ferramenteiro saiu da Volks em 1987 e em meio a questionamentos dos parentes que queriam ver Roberto Araújo engenheiro, aos 19 ele decide entrar na faculdade e cursar jornalismo. O que para todos, inclusive para ele, foi uma loucura já que tinha como crescer na VW e fazer o que a família queria. Mas, ele diz que nenhuma decisão foi em vão e não se arrepende de ter corrido atrás do sonho e ter feito o que realmente gosta.
“Quando se é jovem é bom que seja feito o que realmente quer fazer. Você não se sente pressionado. Se tivesse continuado seguindo a vontade deles eu seria uma pessoa frustrada”, confessa Roberto. Com esse impulso importante para o futuro dele o aprendizado foi grande.
Por ingressar do cursinho do SENAI para a faculdade, conseguiu se transferir para a Assessoria de Imprensa da própria Volkswagen, mas o que ele mais queria era conhecer a rotina do jornalismo diário. O que conseguiu no mesmo ano, uma passagem como repórter no Jornal da Tarde. Ele afirma que essa foi uma das fases mais felizes e marcantes de sua vida.
Roberto conta que a hora mais legal da área era a parte de pesquisas, porém desgastante na época porque era complicado saber onde encontrar as fontes certas e eram muitos arquivos a serem lidos na biblioteca. “Agora tudo é mais fácil, mas também é perigoso. Porque não pode se confiar em tudo que se encontra na internet. Ainda mais para nós que precisamos saber tudo que falamos para não passar informações erradas”, alerta o jornalista.
Ele seguiu cobrindo cidades, economia e política, que antes eram as primeiras páginas sem divisão por caderno dos jornais, até a década de 90 em que o Palmeiras, seu time do coração, fez a primeira parceria com a Parmalat o que possibilitou a contratação de grandes jogadores e técnicos competentes para o time. Ajudou também nos projetos de expansão da Rede Carrefour, no final dos anos 80 e início dos anos 90.
Em 1991, cansado da correria do jornal diário, o jornalista prestou um concurso na Pirelli e foi atuar na área de comunicação empresarial. Após três anos na comunicação da empresa Roberto consegue uma vaga de gerente de comunicação corporativa na CIBA. A preocupação seria grande pela responsabilidade e quantidade de coisas a serem feitas dali pra frente, mas a remuneração e a vontade de ganhar conhecimento também eram. Ele trabalhou também na reestruturação do Grupo Pirelli no Brasil, em 1992.
Ao completar três anos na empresa, em 1996, quando já conhecia os dois lados Roberto decidiu montar sua própria assessoria “Frente de Comunicação LTDA.” Ele começou como muitos, em casa com alguns clientes e depois passou para um escritório. Seu filho mais velho é quem o auxilia até hoje, mas a diferença da história é que seu filho Bruno, de 26 anos, foi quem escolheu a profissão mesmo antes de fazer faculdade. Ainda no ano de 1996, a Ciba-Geigy e a Sandoz uniram-se e a Novartis foi fundada para ser uma das maiores empresas do mundo de cuidados com a saúde.
Em 1998 o novo assessor de comunicação decidiu deixar a Novartis para cuidar de sua empresa que estava em crescimento e com uma grande demanda. Na época chegou a ser convidado para ser professor na Casper Líbero. Roberto ficou no cargo por mais ou menos um ano e meio, mas decidiu sair porque percebeu que sua empresa estava indo bem com os clientes e que não tinha mais como conciliar a faculdade com o trabalho também por causa da distância. “Foi um período complicado porque já tinha experiência em várias áreas e queria ter mais essa, mas como estava sobrecarregado tive que optar pelo que era melhor pra mim no momento”, comenta Roberto.
Ele ficou cinco anos trabalhando somente na assessoria e auxiliando em alguns projetos, quando notou que queria vivenciar mais uma vez essa profissão e entrou na Universidade Municipal de São Caetano do Sul com um contrato temporário de apenas um ano. Em 2005 ele aproveitou e se inscreveu no concurso que abria vagas para professor efetivo na universidade e está até hoje dando aulas e cuidando da “Frente de Comunicação”.
Com todo esse aprendizado, o que o professor e profissional de comunicação mais admira hoje é quando os alunos ou ex-alunos o procuram nas salas ou mandam e-mails falando de alguma lembrança de aula, dúvidas ou querendo uma dica com projeto que vai começar a fazer. Por essas e muitas coisas que nos corredores da Universidade Municipal de São Caetano do Sul sempre tem alguém conversando com o professor Roberto Araújo.
Universidade Municipal de São Caetano do Sul
Camila Silva
Abril de 2011